Publicado em 11/09/2025
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Zoológico de São Paulo formalizaram um acordo de cooperação que une esforços para a proteção da fauna nativa do Brasil. A parceria busca ampliar a implementação de ações prioritárias para a conservação de espécies ameaçadas, tanto in situ – nos ambientes naturais onde vivem, como florestas e rios – quanto ex situ – fora do habitat original, em zoológicos, jardins botânicos e outros empreendimentos.
Segundo Marcelo Marcelino, diretor de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade do ICMBio, a instituição já participa de planos de Ação Nacional para a Conservação de Espécies e de programas de manejo populacional, que envolvem estratégias tanto in situ quanto ex situ, como no caso da ararinha-azul. “O acordo amplia a atuação do Zoo na conservação de outras espécies ameaçadas, que ainda não contam com programas de manejo populacional estruturados, mas que podem se beneficiar das ações integradas com populações ex situ”, explicou.
A medida reforça a integração entre instituições públicas, setor privado e comunidade científica, considerada essencial para enfrentar ameaças como o comércio ilegal de animais silvestres, o desmatamento e os incêndios florestais. Essas pressões têm reduzido ou levado à extinção de espécies em vida livre, como a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii), a jacutinga (Aburria jacutinga) e o mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia). O acordo foi publicado no Diário Oficial da União em agosto, tem validade de cinco anos e não prevê repasses financeiros.
O CEO do Zoo São Paulo e responsável pelo grupo Oceanic, Kiko Buerger, destacou o papel da instituição parceira. “O propósito do Zoológico de São Paulo é atuar na conservação. Participamos de mais de 40 iniciativas alinhadas às Estratégias Nacionais para a Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção e temos consciência do legado que queremos deixar para as próximas gerações”, afirmou.
Arara-azul-de-lear: do nascimento à soltura
O ICMBio e o Zoo São Paulo já são parceiros em outras iniciativas, como o Plano Nacional para Conservação das Aves da Caatinga. Um dos resultados foi o aumento populacional da arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari), classificada como “em perigo” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). O Zoo foi pioneiro no Brasil na reprodução da espécie, em 2015. Desde então, 21 filhotes nasceram em suas instalações, e parte deles já foi destinada ao repovoamento na região do Boqueirão da Onça, na Bahia.
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