Publicado em 11/02/2026
Foi lançada ontem, em São Paulo, a Declaração de Belém para o Turismo Sustentável, um movimento setorial inédito que organiza compromissos públicos, métricas verificáveis, governança e integridade na comunicação sobre sustentabilidade no setor. A assinatura reuniu lideranças e entidades representativas da cadeia de turismo, eventos, hotelaria, viagens corporativas, parques e atrações. A iniciativa nasce como desdobramento do legado da COP30, realizada em Belém, e marca a transição do setor de um estágio predominantemente discursivo para uma fase orientada à execução, evidência e responsabilidade pública.
A Declaração de Belém propõe uma referência comum para o turismo sustentável no Brasil, baseada em dados, compromissos claros e governança, com o objetivo de reduzir o greenwashing, elevar a régua das práticas ESG e preparar o setor para um novo ciclo de exigências climáticas, regulatórias e de mercado até 2030.
Durante a abertura do evento, Hélio Brito, fundador da ESG Pulse e articulador do movimento, destacou que a iniciativa não nasce para criar mais um selo ou narrativa institucional, mas para organizar a transformação do setor a partir de critérios objetivos. “Não é sobre falar de greenwashing, embora combater o greenwashing seja necessário. É sobre como a gente ajuda a elevar a régua do turismo brasileiro. Quando criamos uma régua comum para hotéis, pousadas, agências, operadores e destinos, criamos um país mais eficiente, com mais impacto e mais clareza do que precisa ser feito”, afirmou.
Segundo Brito, a proposta do movimento é estabelecer um mecanismo prático de implementação, inspirado na lógica de avaliação e aprendizagem contínua, para apoiar tanto o setor privado quanto os territórios turísticos. “Sustentabilidade no turismo é muito simples: é como um checklist. Você faz ou não faz. É sim ou não. E quando empresários e poder público trabalham sobre a mesma régua, o compromisso permanece, independentemente de quem esteja no governo”, completou.
Um dos diferenciais da Declaração de Belém é seu caráter coletivo e transversal. O movimento reúne associações de diferentes elos do ecossistema, reforçando que a transformação do turismo não será liderada por iniciativas isoladas, mas por compromissos públicos coordenados. A Declaração estabelece ainda um modelo de governança leve, com instâncias claras, ciclos anuais de planejamento e acompanhamento e a criação de um Observatório, responsável por consolidar dados agregados, métricas e aprendizados do setor ao longo do tempo.
A ESG Pulse atua como Secretaria Técnica da Declaração de Belém, com papel técnico, institucional e independente, apoiando a coordenação do movimento, a estruturação metodológica e a operação do Observatório.
Para as entidades signatárias, a Declaração representa um avanço concreto na forma como o setor encara sua responsabilidade ambiental, social e de governança. Representantes destacaram que a iniciativa cria condições para profissionalizar a agenda ESG, formar novos profissionais, apoiar cadeias de fornecedores, fortalecer destinos e gerar impactos positivos nos territórios. “ESG não é mais negociável. É uma obrigação do setor, e o turismo tem um papel fundamental na construção de soluções para o planeta e para as futuras gerações”, afirmou Carolina Negri - representante do SINDEPAT.
Com a assinatura, a Declaração de Belém entra na fase de implementação. O movimento prevê a ampliação gradual do número de signatários, o funcionamento do Observatório, consultas públicas, ciclos de escuta setorial e a consolidação de métricas que permitam acompanhar a evolução do turismo sustentável no Brasil até 2030. A iniciativa permanece aberta à adesão de novas entidades, destinos e organizações comprometidas com a integridade, a evidência e a responsabilidade pública na agenda ESG.
Sindepat - Todos os direitos reservados. Desenvolvido por MW Way