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Artigo - O interior fluminense também é destino

Publicado em 26/08/2026

ARTIGO

* Marcella Chagas é CEO do Guapi Parque das Águas

 

Quando se fala em turismo no Rio de Janeiro, a imagem que vem à cabeça quase sempre é a mesma: praia, Cristo, Zona Sul. Mas existe um Rio menos óbvio e economicamente potente que raramente entra nessa conversa: o interior, a região serrana, as cidades que recebem visitante justamente por causa de uma atração. E é aí que uma discussão importante começa.

Um parque não é só um lugar de diversão. É um motor econômico. E os números do setor no Brasil deixam isso difícil de ignorar.

Em 2025, o setor de parques e atrações turísticas faturou R$ 9,5 bilhões, uma alta de 12,8% sobre o ano anterior, segundo o Panorama Setorial produzido pela Noctua em parceria com o Sindepat e a Adibra. Foram 143 milhões de visitantes circulando por 869 empreendimentos pelo país. Para um setor que muita gente ainda enxerga como "secundário", é um tamanho que impressiona.

Mas o dado que mais importa para quem pensa em desenvolvimento regional não é o faturamento. É o que ele arrasta junto. Como resumiu Pablo Morbis, presidente do Conselho do Sindepat, parques e atrações são muitas vezes o principal motivo da viagem, e movimentam hotéis, restaurantes e pequenos negócios, gerando impacto direto na economia local. Essa é a frase-chave. O visitante que vem para um parque não gasta só no portão de entrada. Ele abastece o posto na estrada, almoça no restaurante da cidade, compra lembrança no comércio local, às vezes dorme na pousada da região. Um parque é o ímã; a economia ao redor é o que ele atrai.

E isso se traduz em emprego. O setor responde por 202 mil empregos diretos, indiretos e terceirizados, um número 6% maior que em 2024. Em cidades do interior, onde as oportunidades formais costumam ser mais escassas, esse tipo de geração de trabalho tem um peso proporcionalmente muito maior do que teria numa capital. Um emprego a mais em um grande centro é estatística. Numa cidade pequena, é uma família com renda, é um jovem que não precisa migrar para a capital, é economia girando onde antes não girava.

Tem ainda um dado que mostra para onde o setor está indo: há R$ 11,5 bilhões em investimentos programados no Brasil, e os parques aquáticos concentram a maior fatia desses novos projetos, com 28,6% do total. Ou seja, o mercado está apostando alto, e apostando justamente no modelo de parque que mais dialoga com o clima e o perfil de tantas cidades brasileiras.

 

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